Aspe – Associação de Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de MG



24 de outubro de 2025
Missão internacional em Portugal fortalece pesquisa com queijos artesanais de Minas Gerais

Foto: Acervo/Daniel Arantes

Por Filipe Diniz

Pesquisadores da Epamig e associados da Aspe-MG impulsionam intercâmbio técnico-científico e parcerias para a inovação no setor de queijos artesanais

Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e da Rede Mineira de Pesquisa em Queijos Artesanais (RMQA) concluíram na primeira quinzena de outubro uma importante mobilização internacional a Portugal. O objetivo central foi fortalecer parcerias científicas, promover o intercâmbio técnico-científico e impulsionar a inovação em microbiologia de queijos artesanais.

A iniciativa foi realizada no contexto do projeto “Estudo do fermento endógeno dos Queijos Artesanais em Minas Gerais: do uso empírico ao conhecimento científico e tecnológico” (APQ-5943-24), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). O projeto foi aprovado em edital voltado ao fortalecimento das ações de pesquisa da empresa agropecuária mineira, e busca ampliar a cooperação internacional na área de microbiologia aplicada à produção de queijos artesanais.

Intercâmbio técnico-científico e apoios institucionais

Coordenada pela Epamig, a mobilização institucional a Portugal teve à frente o pesquisador Daniel Arantes, coordenador do projeto “Estudo do fermento endógeno dos Queijos Artesanais em Minas Gerais”. A delegação contou também com a participação da pesquisadora e médica-veterinária da empresa, Cristiane Viana Guimarães Ladeira. Vale ressaltar que Arantes e Ladeira são filiados à Associação de Pesquisadores da Epamig (Aspe-MG).

A Universidade do Minho (UMinho) atuou como principal instituição anfitriã e ponto central do intercâmbio. O acolhimento aos especialistas brasileiros e o direcionamento aos locais visitados ocorreram por meio da colaboração do professor Ricardo Meirelles. O cronograma abordou diferentes etapas da cadeia produtiva de queijos e explorou técnicas avançadas de identificação, preservação e análise de microrganismos.

O intercâmbio também contou com a participação da professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG), Fabiana Aparecida Couto. Ela desempenhou um papel fundamental no planejamento da viagem, na elaboração da programação e no suporte logístico.

Jornada técnica em laboratórios e queijarias

A jornada da delegação incluiu visitas a importantes instituições e queijarias. Na Universidade do Minho, em Braga, os profissionais foram recebidos pelo professor Nelson Lima e conheceram as instalações da Micoteca da Universidade do Minho (MUM) e do Repositório Internacional de Recursos Microbianos (MIRRI), que possuem infraestrutura de excelência dedicada à conservação e caracterização microbiana.

A equipe também visitou a Queijaria Lactis Mercados, em Vila Verde, um exemplo de integração entre ciência e mercado na valorização dos produtos lácteos regionais; e a Queijaria Vale da Estrela, em Viseu, que apresentou as práticas tecnológicas empregadas na produção de queijos tradicionais portugueses.

Na Ilha Terceira (Açores), foram realizadas visitas ao Laboratório Regional de Veterinária e à Queijaria da Vaquinha. No laboratório, foi especialmente relevante conhecer uma estrutura certificada e com programas consolidados de gestão da qualidade. Essas referências servirão para o fortalecimento das práticas analíticas aplicadas à identificação e ao armazenamento de microrganismos para a produção de queijos artesanais.

Novas perspectivas e agenda de 2026

Segundo o zootecnista e pesquisador agropecuário, Daniel Arantes, a viagem fortaleceu a parceria entre pesquisadores de Minas Gerais e de Portugal, assim como ampliou as possibilidades de intercâmbio técnico e científico entre o estado e o país europeu.

“As experiências em Portugal trouxeram novas perspectivas para a pesquisa com coleções microbianas, inspirando iniciativas que podem contribuir para o fortalecimento da cadeia dos queijos artesanais. A troca de conhecimentos entre equipes e instituições reforça a importância da cooperação na preservação e no uso responsável da biodiversidade de microrganismos presente nos queijos de leite cru de Minas Gerais”, destacou o chefe da delegação mineira.

Entre os resultados diretos da cooperação está a organização da conferência “Novas Tendências de Identificação Microbiana: uso de MALDI-TOF MS, FTIR e Biologia Molecular LAMP”.

O evento está previsto para abril de 2026, a ser realizado na sede da Epamig, em Belo Horizonte (MG), e reunirá especialistas brasileiros e internacionais para debater métodos modernos de caracterização microbiana, bem como as aplicações na indústria de queijos artesanais.

Para fortalecer ainda mais a cooperação, está prevista para 2026 a visita de Nelson Lima ao Centro de Pesquisa e Treinamento em Queijos Artesanais (CPTQA), instalado no campus da Epamig em São João del-Rei (MG). A vinda do professor deverá favorecer novas ações conjuntas de pesquisa e inovação em microbiologia de alimentos e biotecnologia de queijos, além da formação técnica e científica para pesquisadores e produtores mineiros.

A Aspe-MG apoia e reconhece todas as ações de cooperação e intercâmbio técnico-científico que contam com a participação de associados, por contribuírem para a capacitação dos pesquisadores, avanço da pesquisa agropecuária e valorização do setor de queijos artesanais mineiros.

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ASPE: Em defesa dos direitos e interesses dos Pesquisadores Agropecuários da Epamig.