Do campo mineiro para o mundo: pesquisador da Epamig consolida cooperação no setor algodoeiro na África
Foto: Acervo/João Batista Reis
Em continuidade à missão iniciada em 2024, João Batista Reis retornou à Zâmbia em dezembro de 2025 para validar tecnologias e fortalecer a cotonicultura familiar no país
O pesquisador e diretor-financeiro da Associação de Pesquisadores da Epamig (Aspe-MG), João Batista Reis, realizou, de 07 a 19 de dezembro de 2025, uma nova etapa da missão técnica na Zâmbia, com desdobramentos institucionais que contemplam também o Zimbábue.
A iniciativa integra os projetos de cooperação internacional coordenados pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), com o intuito de capacitar técnicos e produtores locais na utilização de tecnologias de cultivo desenvolvidas em solo mineiro.
Durante as atividades, o pesquisador acompanhou especificamente a Unidade Técnica Demonstrativa (UTD) em Mazabuka, onde são validados métodos de plantio, irrigação, adubação e controle de pragas sob as condições locais. João Batista Reis destaca a transição entre as etapas do projeto: “A missão de 2024 teve caráter de diagnóstico na Zâmbia. Em 2025, avançamos para a validação prática das tecnologias em campo”, pontua.
“Esse acompanhamento contínuo nos permite ajustar o manejo fitossanitário e nutricional do algodão, além de aplicar as técnicas de irrigação implantadas na UTD, adaptando-as às variações climáticas locais. Para a pesquisa mineira, esse intercâmbio gera dados valiosos sobre o comportamento da cultura, contribuindo para a inovação em nossas próprias lavouras”, complementa Reis.
Vale explicar que no Zimbábue, onde as atividades já estão em curso desde 2018, o trabalho seguiu focado na consolidação técnica das unidades.
Impacto e autonomia no campo
Esta continuidade consolida o esforço iniciado no Zimbábue e expandido para a Zâmbia em 2024. O foco do trabalho ultrapassa a natureza assistencial, concentrando-se no ensino e na disseminação das tecnologias implantadas nas UTDs para garantir a autonomia dos produtores. Ao capacitar a mão de obra local, o projeto promove uma transferência de conhecimento capaz de transformar a realidade social e econômica das regiões beneficiadas.
A missão contou com a atuação conjunta do pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e de uma equipe da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), composta por um extensionista, uma pedagoga e uma profissional da comunicação. Estas últimas ministraram o curso Metodologia de Extensão Rural Participativa (Mexpar), voltado especificamente aos extensionistas africanos, para promover a inclusão social de jovens e mulheres no campo.
Cabe destacar que o projeto de cooperação técnica internacional na África conta com a participação conjunta dos pesquisadores da Epamig e associados da Aspe-MG, João Batista Reis e Maurício Mendes Cardoso. Embora nesta missão de dezembro de 2025 as atividades tenham sido conduzidas por Reis, Maurício Cardoso integrou missões em etapas anteriores para o desenvolvimento da cotonicultura na região.
Estrutura institucional e técnica
Essa colaboração reflete o vigor do sistema agrícola mineiro, vinculado à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa). O modelo integra a ciência da Epamig à capacidade de difusão da Emater, utilizando as UTDs na África como vitrine tecnológica. O objetivo é que os técnicos africanos absorvam as inovações mineiras com segurança para uma futura replicação independente e sustentável.
A participação do pesquisador em projetos internacionais gera subsídios técnicos diretos para Minas Gerais. O monitoramento de pragas em climas tropicais similares ao brasileiro atua como defesa sanitária preventiva, antecipando soluções para a cotonicultura estadual. Além disso, a troca de experiências em manejo de solo e irrigação aprimora as orientações prestadas aos produtores mineiros, convertendo o conhecimento colhido no exterior em produtividade e sustentabilidade para o campo no estado de Minas Gerais.
Governança e continuidade
A cooperação técnica permanece ativa em 2026 no Zimbábue, enquanto na Zâmbia o projeto terá continuidade por mais alguns anos, mantendo o foco no processamento de dados e suporte contínuo às comunidades africanas.
Nas nações africanas, o acordo envolve o Zambia Agriculture Research Institute (Zari) e o Department of Research and Specialist Services (DR&SS) no Zimbábue, com suporte dos respectivos Ministérios da Agricultura de ambos os países. Esse alinhamento institucional garante que as tecnologias brasileiras sejam devidamente adaptadas e adotadas pelas políticas públicas locais.
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ASPE: Em defesa dos direitos e interesses dos Pesquisadores Agropecuários da Epamig.