Pesquisadores lideram Dia de Campo sobre Piscicultura de Corte de Pequena Escala
Foto: Acervo/Alexmiliano de Oliveira
Evento em Viçosa debateu produção sustentável de tilápias, licenciamento ambiental, regularização sanitária e novas tecnologias para o setor aquícola
Os pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e da Universidade Federal de Viçosa (UFV) lideraram, no último sábado (20/06), o Dia de Campo sobre Piscicultura de Corte de Pequena Escala. O encontro ocorreu na Unidade de Ensino, Pesquisa e Extensão em Aquicultura (UEPE Aquicultura) da instituição educacional.
A programação voltada ao agronegócio regional reuniu mais de 70 participantes na Zona da Mata mineira. No local, especialistas compartilharam conhecimentos científicos diretamente com produtores rurais e técnicos. As instruções focaram na sustentabilidade, na preservação da água e na oferta de alimentos de qualidade.
Permanência no campo e sistemas de criação
As atividades tiveram início com uma apresentação de servidores da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). O debate abordou os desafios da sucessão rural, que é o processo de passar o negócio de pais para filhos. A palestra mostrou o potencial da piscicultura para fixar as famílias no campo com boa rentabilidade.
Na sequência, a infraestrutura e as dinâmicas operacionais do setor foram detalhadas por integrantes do corpo docente do Departamento de Zootecnia da UFV. A explanação abordou os sistemas de produção aquícola, o manejo e os processos corretos para a retirada das espécies no cultivo de peixes.
Implantação de viveiros e viabilidade econômica
O cenário da aquicultura no Brasil e em Minas Gerais abriu os debates sobre a viabilidade econômica do segmento. O painel destacou o crescimento do pescado cultivado e o protagonismo da tilápia. As instruções técnicas desta etapa foram conduzidas pelo pesquisador da Epamig e filiado da Associação dos Pesquisadores da Epamig (Aspe-MG), Alexmiliano Vogel de Oliveira, que integrou a comissão organizadora.
Na apresentação de Oliveira, foram detalhados os parâmetros fundamentais para a implantação e o manejo de viveiros escavados. Houve orientações aos piscicultores sobre a escolha do local adequado, dimensionamento das estruturas e o planejamento dos sistemas de abastecimento e drenagem. O pesquisador também demonstrou as práticas de manejo zootécnico, desde a recepção dos alevinos (os filhotes de peixe) até a fase final de despesca (a retirada dos animais para o mercado).
Além do acompanhamento técnico, a abordagem destacou os custos de produção, a viabilidade financeira do cultivo e as estratégias de comercialização. A difusão desses conhecimentos reduz riscos no campo, melhora a eficiência das propriedades e consolida a atividade como alternativa sustentável de renda para a agricultura familiar.
Papel da pesquisa agropecuária aplicada
Diante do panorama debatido no encontro, Alexmiliano defende que o refinamento do manejo produtivo e alimentar é um pilar indispensável para a consolidação da atividade no estado. Sob o ponto de vista técnico, o controle rigoroso da qualidade da água e a nutrição adequada fortalecem o setor.
Sob uma perspectiva institucional a respeito do suporte oferecido no campo, o pesquisador ressalta o impacto direto da ciência no ambiente rural:
“O papel da pesquisa agropecuária aplicada é justamente traduzir o conhecimento científico em ferramentas práticas. Isso permite que o pequeno criador gerencie a sua área de cultivo com foco em produtividade, redução de despesas e alto padrão de qualidade exigido pelo mercado”.
Normas regulatórias e cooperação institucional
O encontro também discutiu as regras e legislações para o funcionamento das propriedades familiares. A participação dos fiscais do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) foi dedicada a orientar os trabalhadores rurais sobre a regularização sanitária e o cadastro dos criatórios.
Essas diretrizes de inspeção são essenciais para habilitar de forma legal o beneficiamento do peixe, que envolve etapas como limpeza e filetagem. A regularização viabiliza o acesso seguro ao mercado formal de vendas.
Para complementar os critérios exigidos, os requisitos para o licenciamento ambiental foram detalhados por técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Biodiversidade e Recursos Hídricos de Viçosa (Semabio).
Além de Oliveira, o encontro também contou com a participação de outros dois pesquisadores e associados da Aspe-MG: o chefe da Epamig Sudeste, Francisco Carlos de Oliveira Silva; e o coordenador de Difusão e Tecnologia, Fábio Daniel Tancredi.
O evento foi realizado por meio de uma cooperação entre a Epamig, UFV, Emater, IMA e a Prefeitura de Viçosa. Essa parceria viabilizou mostras tecnológicas ao público, com novidades em sistemas de bombeamento, soluções em energia solar e rações específicas para as diferentes fases de vida dos alevinos.
Acompanhe o trabalho dos pesquisadores agropecuários mineiros pelo portal aspepesq.org.br/noticias e conheça os impactos da ciência no cotidiano da população.
Aspe-MG: Em defesa dos pesquisadores agropecuários da Epamig.