Aspe – Associação de Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de MG



16 de janeiro de 2025
Pesquisa Agropecuária mineira se destaca em 2024

Projeto proponente de "transformação de resíduos da indústria vinícola" receberá cerca de R$ 2,5 milhões, sendo o maior valor a ser financiado no âmbito da Chamada n.º 12/2024 | Imagem de Freepik

Por Filipe Diniz

Um importante investimento para o futuro da agropecuária de Minas Gerais é a valorização da carreira do pesquisador agropecuário, aguardada para este ano

Em 2024, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) alcançou relevantes resultados, principalmente na área central de atuação da instituição, que é a própria pesquisa agropecuária. Nela, o foco foi no desenvolvimento de tecnologias e soluções inovadoras para o setor agropecuário em Minas Gerais e no Brasil.

Uma das principais conquistas no ano foi a sanção da Lei Estadual n.º 24.821/2024. Por meio dessa legislação, os 8% dos recursos para pesquisas gerais, previstos na Constituição Estadual, passarão a ser destinados especificamente à pesquisa agropecuária.

Com a medida, a Epamig terá anualmente cerca de R$ 40 milhões garantidos para aplicar em projetos de pesquisa aprovados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Segundo o pesquisador e diretor-presidente da Associação de Pesquisadores da Epamig (Aspe), Emerson Gonçalves, com a previsibilidade desses recursos, agora será possível realizar o planejamento de atividades de pesquisa de longo prazo.

Por conta disso, haverá a segurança do financiamento recorrente, com o propósito de dar continuidade aos projetos científicos e tecnológicos, em execução pela empresa.

“Os pesquisadores enfim terão mais autonomia para definir prioridades dos programas de pesquisa que estão à frente, alinhadas com as necessidades do setor agropecuário mineiro. Isso consolida a Epamig como um centro de excelência e referência nacional em pesquisa agropecuária”, enaltece Gonçalves.

Fortalecimento da pesquisa

Outro ponto celebrado pelo diretor-presidente da Aspe é que, com esta política de Estado, voltada ao fortalecimento da pesquisa, também espera-se que ela contribua de fato para o reconhecimento e a valorização da carreira dos pesquisadores agropecuários.

Portanto, a classe aguarda melhores condições de trabalho, como benfeitorias na infraestrutura, equipamentos e materiais de laboratório. E, ainda, concessões de benefícios remuneratórios, como aumento no vencimento básico e nas gratificações adicionais (titulação, tempo de serviço, insalubridade/periculosidade, dedicação exclusiva e produtividade, por exemplo).

“Todas essas deliberações contribuirão diretamente para um ambiente de trabalho mais produtivo, pois os pesquisadores se sentirão mais motivados a desenvolverem soluções inovadoras para o setor agropecuário, cientes de que os esforços serão notáveis”, completa Emerson.

A consequência dessa política de valorização dos pesquisadores agropecuários colabora para a construção de um setor agropecuário mais forte, inovador e competitivo em Minas Gerais.

Edital de Chamamento Público

A Fapemig disponibilizou a Chamada Pública n.º 12/2024, intitulada de “Fortalecimento e Consolidação da Pesquisa na Epamig”, no final do ano passado. A iniciativa é a primeira ação de desdobramento da Lei 24.821.

A Epamig recebeu por meio do edital de seleção 80 propostas de diferentes áreas da agropecuária, sendo que 24 foram aprovadas pelas Câmaras de Avaliação de Projetos. Esse montante atingiu o valor inicial alocado para financiamento, na ordem de R$ 25 milhões, e no momento está no processo de homologação.

Dentre as mais de duas dezenas de proposições validadas pelas Câmaras de Avaliação, ressaltam-se as cinco maiores, às quais receberão valores à cima de R$ 2 milhões. A seguir:

  • Transformação de resíduos da indústria vinícola em produtos de valor agregado. (Coordenadora – Pesq. Renata Mota) – R$ 2.494.986,92
  • Tecnologias regenerativas para o manejo de pragas do café: agrobiodiversidade, bioinsumos e variedades resistentes. (Coordenadora – Pesq. Madelaine Venzon) – R$ 2.434.282,12
  • Desenvolvimento e uso de bioinsumos e produtos de baixo impacto para um manejo sustentável das doenças da videira em Minas Gerais (Coordenadora do projeto e diretora-administrativa da Aspe – Pesq. Claudia Souza) – R$ 2.304.979,22
  • Triagem racional, obtenção e validação de biocompostos e suas combinações para uma pecuária bovina sustentável, sanitária e de alto rendimento – Inibição da metanogênese e combate à tripanossomíase bovina (Coordenador – Pesq. Eduardo Corrêa) – R$ 2.218.847,96
  • Pecuária de baixo carbono e resiliência da bovinocultura de leite em Minas Gerais: estratégias alimentares, eficiência alimentar, reprodutivas e de bem-estar animal (Coordenadora – Pesq. Edilane Silva) – R$ 2.179.833,17

Outras fontes de recursos

A empresa também recebe investimentos de outras fontes, públicas e privadas. Atualmente, 264 projetos de pesquisa estão vigentes, e 79 projetos externos contam com a participação de pesquisadores do órgão público, conforme dados divulgados.

Como exemplo, é possível citar duas pesquisas coordenadas em 2024 pelos pesquisadores agropecuários Emerson Gonçalves e João Batista Reis, o diretor-presidente e o diretor-financeiro da Aspe, respectivamente. São elas:

  • Agricultura familiar: seleções de pessegueiro e amoreira preta como opções de cultivo nas condições edafoclimáticas da Serra da Mantiqueira – Edital n.º 040/2024/Fapemig – R$ 758.694,92 (Emerson)
  • Monitoramento das condições agrometeorológicas visando o desenvolvimento econômico e sustentável do Norte de Minas – Edital n.º 040/2024/Fapemig – R$ 651.416,56 (João)

A Epamig

A atuação institucional da Epamig se baseia em Programas Estaduais de Pesquisa (Peps), definidos a partir de potencialidades territoriais de Minas Gerais e nas demandas do setor agropecuário.

Essas ações governamentais visam atender desde as culturas tradicionais até as novas cadeias produtivas. O objetivo delas é garantir a qualidade dos alimentos e o aumento da produtividade, com foco na sustentabilidade dos sistemas agrários no meio rural.

Neste sentido, os pesquisadores agropecuários são responsáveis por indicar métodos, cultivares, matrizes e produtos tecnológicos, relacionadas à busca por inovações e soluções no campo, que proporcionam benefícios para a população.

Saiba mais em aspepesq.org.br e no perfil @‌aspepesq nas mídias sociais!

ASPE: Em defesa dos direitos e interesses dos Pesquisadores Agropecuários da Epamig.