Pesquisadores da Epamig clamam por recomposição salarial e novo plano de carreira
Foto: Ramon Bitencourt/ALMG
Aspe colidera a articulação por valorização da carreira de pesquisador, melhores condições de trabalho, e a abertura de concurso público, em audiência pública estratégica na ALMG
A situação crítica dos pesquisadores e demais funcionários da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) foi o centro de um intenso debate realizado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na última quinta-feira, 26 de junho de 2025.
Já se passaram dois anos desde a primeira audiência pública sobre o tema, promovida pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da ALMG em 2023. As promessas de reestruturação salarial e de carreira feitas pelo governo de Minas Gerais continuam sem resposta.
A Associação dos Pesquisadores da Epamig (Aspe), juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Pesquisa e Informação (Sintappi-MG), estão à frente da articulação e mobilização. O objetivo é buscar a valorização e melhores condições de trabalho para a categoria.
A mesa-diretora da comissão contou com a presença da Diretoria-Executiva da Aspe, incluindo o diretor-presidente, José Carlos Fialho de Resende; a diretora-administrativa, Aurinelza Batista Teixeira Condé; e o diretor-financeiro, João Batista Ribeiro da Silva Reis. O ex-presidente da associação, Emerson Dias Gonçalves, também esteve presente, reforçando a união da entidade.
Pauta dos pesquisadores
A segunda audiência pública sobre o tema, impulsionada pela Comissão do Trabalho, sob a presidência do deputado estadual Betão (PT), reuniu trabalhadores da Epamig para discutir a urgência da situação.
O diretor-presidente da Aspe não poupou palavras ao expor a realidade dos pesquisadores agropecuários. Ele destacou uma defasagem salarial que já alcança 27,7% nos últimos cinco anos, um cenário que contrasta drasticamente com a remuneração de profissionais em instituições similares.
Para exemplificar essa disparidade salarial com outras empresas de pesquisa agropecuária, um pesquisador doutor da Epamig inicia a carreira com remuneração de R$ 7.168,62. Enquanto isso, colegas da Embrapa recebem R$ 17.727,86 e da Epagri (Santa Catarina), R$ 15.010,40.
“Não estamos pedindo aumento; só queremos reposição salarial. Estamos empobrecendo!”, enfatizou Resende. Ele alertou que os baixos salários provocam desmotivação e um preocupante êxodo de talentos, o que impacta diretamente na qualidade da pesquisa agropecuária em Minas Gerais. Atualmente, a Epamig conta com 98 pesquisadores concursados e 42 contratados.
Além da questão salarial, os pesquisadores e demais servidores da Epamig denunciaram condições de trabalho precárias. No decorrer da audiência, foi revelado que muitos profissionais, inclusive, precisam custear pesquisas do próprio bolso.
Outra queixa grave é a suspensão do vale-refeição durante licenças médicas e licenças-maternidade, adicionando um fardo financeiro injusto em momentos já desafiadores. A situação se agrava para os funcionários de apoio, dos quais 41% recebem apenas o salário mínimo.
Contraponto governamental e os próximos passos
Representando o governo de Minas, Lucas Mendes de Faria Rosa Soares, subsecretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, defendeu que o Estado tem feito “investimentos robustos” na área, citando os R$ 46 milhões destinados à Epamig em 2024.
Esses recursos são aplicados em bolsas de pesquisa, na aquisição de equipamentos e em melhorias estruturais da empresa. Ele ressaltou que tais valores, destinados à área de ciência, tecnologia e inovação, superam o que seria considerado um mínimo constitucional de investimento em outras áreas, indicando um compromisso do governo com o setor.
No entanto, o deputado Betão, proponente da audiência, demonstrou preocupação com a morosidade do governo do Estado em atender às demandas dos empregados da Epamig, classificando a situação como um “descaso”.
Para tentar reverter esse quadro, o parlamentar anunciou que, na próxima reunião da Comissão do Trabalho, apresentará um conjunto de solicitações formais ao governo. Entre elas, destacam-se a criação de um novo e justo plano de carreira, a urgente abertura de concurso público e a efetiva recomposição salarial para todos os empregados da Epamig.
Com essas medidas, busca-se garantir a dignidade profissional da categoria e a continuidade do trabalho de pesquisa agropecuária, essencial para Minas Gerais e para o Brasil.
Para mais informações sobre a mobilização e as demandas da Aspe, você pode:
- Assistir à transmissão completa da audiência pública neste vídeo.
- Visualizar o álbum de fotos do evento na galeria de imagens da ALMG.
Saiba mais sobre a Aspe em aspepesq.org.br e nas principais mídias sociais no perfil @aspepesq!
ASPE: Em defesa dos direitos e interesses dos Pesquisadores Agropecuários da Epamig.