Palmatech 2026 debate avanços da palma forrageira no Norte de Minas
Foto: Acervo/Polyanna Oliveira
Evento reuniu pesquisadores e produtores para discutir o uso da cultura em sistemas agropecuários do semiárido
A 4ª edição do Palmatech, realizada de 4 a 7 de maio, reuniu pesquisadores, técnicos e produtores em torno do cultivo da palma forrageira. A planta tem papel estratégico na alimentação animal no semiárido mineiro, sobretudo em períodos de estiagem, já que a estrutura pode apresentar elevado teor de água. Por essa característica, a cultura é utilizada como reserva de alimento e hidratação para o rebanho, contribuindo para a manutenção da produção de carne e leite quando as pastagens com outras forrageiras perdem vigor.
De acordo com os dados oficiais divulgados pela comissão organizadora, composta pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e pelo Sistema Faemg/Senar, o encontro reuniu mais de 300 participantes no Campo Experimental de Gorutuba, em Nova Porteirinha/MG, envolvendo também estudantes, cientistas e extensionistas.
A programação combinou debates teóricos e atividades práticas voltadas à sustentabilidade dos sistemas agropecuários. O foco foi discutir técnicas para ampliar a segurança das lavouras e dos rebanhos diante dos desafios climáticos característicos da região.
Expansão da pesquisa e impacto regional
Atualmente, as pesquisas sobre a palma forrageira já abrangem mais de 60 municípios nas regiões do Norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha. Esse esforço da Epamig se materializa em cerca de 750 áreas destinadas à produção e distribuição de mudas em larga escala, além de mais de 100 propriedades modelo estruturadas para apresentar as tecnologias ao produtor regional.
Com duas décadas de pesquisas acumuladas sobre a cultura da palma, os estudos atuais buscam responder às exigências de manejo do trabalhador rural. Nesse contexto, as discussões e os experimentos acompanham as demandas do campo por inovações que facilitem o cultivo regular.
Integração entre ciência e cultivo rural
A coordenação do fórum ficou a cargo da pesquisadora da empresa mineira e filiada da Associação dos Pesquisadores da Epamig (Aspe), Polyanna Mara de Oliveira. Segundo ela, o encontro buscou aplicar resultados de pesquisa no cotidiano das propriedades rurais do semiárido, com foco em práticas voltadas ao setor agropecuário regional.
Em relação ao impacto técnico resultante, Polyanna destacou a importância de aproximar o conhecimento científico do trabalhador:
“O Palmatech foi idealizado para ser uma vitrine de soluções tecnológicas. O objetivo é assegurar que as melhores técnicas de cultivo, irrigação e controle fitossanitário desenvolvidas nos centros de pesquisa da Epamig sejam transferidas aos produtores, convertendo ciência em produtividade e estabilidade para o agronegócio local”, afirmou a pesquisadora.
Programação e demonstrações técnicas
A agenda de atividades foi pensada para abranger desde os conceitos teóricos até a demonstração prática de tecnologias de cultivo, colheita e processamento da palma. A abertura oficial ocorreu no Centro Cultural de Janaúba e contou com uma palestra dedicada às experiências, aos desafios e ao potencial nutritivo do cacto para a pecuária atual.
Na sequência da programação, o Simpósio Mineiro sobre Palma e outras Forrageiras (Simpalma) promoveu debates sobre o uso inteligente da água e a adubação orgânica. Paralelamente, as discussões abordaram o controle da Cochonilha-do-carmim, inseto que representa a principal praga da cultura, além de explorar o aproveitamento da palma na culinária e na indústria.
Para consolidar o aprendizado acumulado, o encerramento foi marcado pelo Palmaday. Durante essa atividade de campo, os participantes percorreram cinco estações temáticas, conheceram produtos e serviços voltados ao setor e visitaram as áreas onde a Epamig conduz os experimentos científicos.
Fortalecimento da base técnica-científica brasileira
Além das palestras e visitas, o evento abriu espaço para a apresentação de estudos acadêmicos. Pesquisadores de diferentes estados participaram do simpósio com trabalhos sobre a cultura, ampliando o intercâmbio de informações técnicas e resultados de pesquisa.
Ao longo da programação, o evento reforçou a aproximação entre pesquisa e produção rural, com ênfase na transferência de técnicas voltadas ao cultivo da palma forrageira em áreas sujeitas à seca.
Para detalhes complementares sobre o fórum, é possível acessar o endereço eletrônico palmatech.com.br .
Mais informações sobre o fórum e a programação estão disponíveis no portal da Aspe-MG.